Sol Carmona, especialista em parentalidade consciente, é criadora do projeto “Infancia Respetuosa”, destaque na Espanha por disseminar informações e oferecer apoio com relação ao tema. Atualmente, 250 mil pessoas são ajudadas diariamente pela plataforma online. Ela também é autora do livro “Love Me Beautifully: Keys to Raising Children by Strengthening Their Self-Esteem”, cuja principal premissa é desenvolver autoestima nas crianças desde cedo.
“A autoestima é vital para os seres humanos. Ela nos acompanha ao longo da vida e começa a se desenvolver na infância. Tudo o que fizermos e contribuirmos para nossos filhos nessa fase irá evoluir com eles. Além disso, ter uma boa autoestima não significa ser melhor do que os outros, ou não sentir medo, ou ser a pessoa mais positiva do mundo. Significa ter uma visão honesta de quem somos”, refletiu Sol, em recente entrevista ao jornal espanhol El Pais.
Sol explica que a autoestima começa a ser construída no momento em que as crianças nascem e, em um primeiro momento, isso se desenvolve com base no olhar dos pais. Com os cérebros - e as próprias personalidades - ainda em formação, as crianças absorvem coisas através do feedback dos genitores.
“Cometemos erros constantemente. A forma como lidamos com os erros é crucial para construir ou enfraquecer a autoestima, tanto a dos nossos filhos quanto a nossa. Viemos de gerações em que cometer um erro era visto como um fracasso. E a verdade é que as crianças aprendem por tentativa e erro. Elas precisam errar muitas vezes. Por exemplo, se uma criança derruba um copo d'água várias vezes, isso não significa que ela quer provocar ou desafiar o adulto; é simplesmente parte do seu processo de aprendizagem”, alerta.
Em seu trabalho, Sol reflete sobre a importância de não rotular os filhos - e isso vale tanto para críticas como para aspectos positivos. Ela defende que colocar as crianças “em caixinhas” é limitante e faz com que os pequenos assumam tais papeis, antes mesmo de terem real consciência de quem são.
“A realidade é que rotular nossos filhos é uma forma de fechar portas para eles. Quando colocamos um rótulo em uma criança, deixamos de vê-la como um todo e passamos a enxergar apenas o rótulo, ou aquele conceito ou ideia que criamos sobre ela”, explica.
Outro fonte ponto do trabalho de Sol é explicar para os pais a diferença entre elogiar e encorajar. Ela explica que, embora sejam confundidos muitas vezes, esses conceitos têm impactos bem distintos nas crianças.
“O elogio foca no resultado e expressa uma opinião. Quando elogiamos, o que geramos é uma busca por aprovação, por reconhecimento, e isso cria dependência. Por outro lado, o encorajamento foca no esforço, no trabalho. Não tanto em se algo é bonito ou maravilhoso. Uma criança precisa de encorajamento como uma planta precisa de água para crescer, porque isso fortalece sua autoconfiança. É por isso que o encorajamento é tão poderoso para a autoestima, porque gera autoconfiança.”
Para Sol, apenas a autoconfiança gera uma autoestima saudável. “Quando confio em mim mesma, começo a me sentir mais capaz e a desenvolver uma autoestima saudável. Porque deixa de depender de fatores externos e passa a depender apenas de mim.”